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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Meu Filho não fala(va)



Meu filho é o primogênito (por parte de mãe), primeiro neto e nasceu após um longo período sem bebês na família. Ele veio ao mundo num momento conturbado de nossas vidas, com uma situação de homecare (cuidados hospitalares) implantado na casa de minha mãe, para onde havíamos nos mudado para ajudá-la a cuidar de meu padrasto que havia sofrido um AVC e estava acamado.

Talvez por isso ele tenha “sofrido” uma proteção maior que os primeirinhos costumam passar? Acho que não! Claro que, como boa Ariana, eu também sou uma leoa e o defendia e protegia muitas vezes até demais.... mas o fato é que meu filho não falava. Ele andou cedo, acabou não gatinhando. Sua parte motora era muito bem desenvolvida e quando ele fez um ano de idade, esperava ansiosa pelo primeiro mama, pela imitação dos bichinhos, pelo famoso “dá”. Mas... nenhuma palavrinha saia daquela linda boquinha. O tempo foi passando e cada dia eu me preocupava mais. Aos 1 ano e 3 meses ele começou a ir para a escola. Assim como todos os profissionais envolvidos com educação e saúde com quem eu me deparava, me disseram que eu precisava esperar o tempo dele, que a convivência com outras crianças iria estimulá-lo e que, em breve, eu pediria para ele ficar quieto, de tanto que ele faria.

Conforme o tempo passava, eu ficava mais desesperada. Comecei a procurar sobre possíveis problemas neurológicos relacionados a ausência de fala e também sobre formas de estimular a criança a falar. Nada funcionava! Passava noites na internet lendo sobre autismo, sobre bilinguismo (meu marido fala espanhol como língua nativa) e sobre ouvidinhos entupidos de cera que dificultavam a fala dos pequenos. Diversas hipóteses foram levantadas: preguiça, duas línguas em casa, estudos que indicam que não gatinhar está associado ao atraso da fala... podia ser qualquer coisa!

Lia relatos de mães com filhos de 1 ano e meio que falam APENAS 10 palavras. Elas perguntavam se era normal falar tão pouco, enquanto eu implorava por apenas um “qué”. Uma sílaba!!!

Minha família tentava me acalmar e meu marido sempre dizia que eu “queria que ele estivesse doente”. Meus amigos evitavam perguntar porque viam como aquilo me deixava arrasada. Eu realmente devia estar insuportável porque era o único tema sobre o qual eu conversava. Quando ele completou 2 anos eu decidi que era hora de procurar uma fonoaudióloga. Coincidentemente a escola me enviou uma avaliação feita pela fono que trabalha com os alunos, me orientando a procurar um profissional pois meu filho “não tinha a fala compatível com idade”. Isso eu já sabia!

Não sei se foi sorte ou destino, mas a fono que encontrei para meu filho caiu na minha vida como um anjo. Ele, tímido do jeito que é, se apaixonou por ela. Entrava para as sessões sozinho e até chorava na hora de ir embora porque queria mais. Me senti aliviada por isso não ser um fardo para ele. Eu queria que o processo fosse natural, que ele se sentisse feliz, que pudesse ver como falar era algo bom. O autismo foi descartado logo de cara. Meu mundo se reconstruiu. Ter encontrado esse anjo me tranquilizou. Eu sabia que meu filho ainda não falava mas também tinha certeza que estava oferecendo para ele o meu melhor. Eu não queria negligenciar com a saúde do meu pequeno. Eu não sabia o que encontraria na primeira consulta, mas tinha certeza que ignorar a possibilidade dele ter algum problema, seria mais fácil pra mim, mas certamente tiraria dele a chance de uma vida melhor.

Quatro meses de terapia haviam se passado. Um dia (sim, do dia pra noite) ele começou a dizer “amama” e procurar por mim enquanto andava pela casa. Passou a imitar o som dos animais e surpreendentemente falava até “Peppa Pig”. Eu não podia acreditar! Fui invadida por uma felicidade que não saberia descrever. Ele passou a dizer todas vogais, papai, aqui e até a cantar. Hoje, depois de uma semana, ele já tem um vocabulário extenso (risos) de umas 10 palavras (e eu acho maravilhoso!!! risos). 

Sei que ele está muito longe do que as crianças com a mesma idade falam por aí, mas o tempo dele chegou, eu o apoiei da melhor forma possível e com o maior amor que tenho em mim. E vamos continuar essa caminhada juntos. Cada palavra nova será celebrada assim como os primeiros passos e estou segura para ajudá-lo nessa nova caminhada pelo incrível mundo dos sons e letras, estamos apenas gatinhando!

Carlinha Mello
Jornalista, Empresária e mãe de Duniel (2 anos)

Amante da boa cozinha, Carlinha criou com mais duas amigas a Carlota Joaquina Gourmet, especializada em delícias gourmet para agradar toda a família, inclusive os pequenos. Comida de mãe, sabe? hum hum hum


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foto original retirada do site becomehairsalon.com/

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Em alta velocidade




Desde que meu filho nasceu, tenho a impressão (ou a constatação) de que estou sempre cansada. Não cansada a ponto de deixar de brincar com ele, fazer suas refeições ou preparar sua mochila da escola. Mas aquela disposição de outrora não voltou com o fim da gestação.

Em um dos raros momentos que sai de carro, sozinha, à noite (estou tão cansada que não consigo me lembrar para onde ia), comecei a pensar (ou a divagar) sobre as dificuldades de se aprender a dirigir. A primeira vez que sentamos naquele carro cheio de botões e comandos, quando o instrutor diz “dê a partida” e aquele momento que você, depois de deixar o carro ‘morrer’ mil vezes, consegue finalmente que ele ande alguns metros. É certo: você tem uma máquina mortífera em mãos.

Nesse instante se alguém me dissesse que a embreagem controla todo o carro e não o freio ou o acelerador eu certamente o chamaria de louco. Isso tudo me fez comparar a maternidade de primeira viagem ao aprendizado sobre como dirigir um carro.

Veja só, você espera ansiosamente para fazer 18 anos (neste caso, 9 meses de preparação). Quando esse dia finalmente chega, você não tem ideia do que fazer ou de como agir. Sem contar que os palpites são muitos e o conhecimento é pouco (lembra de quando você deixava o carro morrer e toda a sua família dizia um milhão de coisas enquanto você tentava se acalmar e ligar o carro de novo?). Pense bem, se alguém te dissesse que você vai saber exatamente as necessidades de seu filho quando ele te olhar, você o chamaria de louco, assim como eu fiz quando alguém me disse que eu saberia a hora de passar a marcha, porque o carro ‘iria me dizer’.

A velocidade como conduzimos um veículo ou a nossa vida após o nascimento de nossos filhos também é determinada apenas por nós mesmas. Se vai andar ou não dentro da faixa de rolamento ou simplesmente ignorar as regras (e lá na frente ser ‘multado’ por isso) também vai depender da forma como levamos o dia a dia e a educação dos nossos pequenos.

E, se no futuro, queremos ter uma geração mais consciente e engajada, devemos dirigir nossos carros nessa direção. Para nos livrarmos dos obstáculos, lombadas e faróis pelo caminho, precisamos saber a hora certa de usarmos o pedal do freio e do acelerador, sem nos esquecermos de que somos a embreagem, ou seja, estamos no controle de tudo e somos os únicos responsáveis pelos filhos que deixaremos para o mundo.

*Por Carlinha M.- Nos acompanhe clicando AQUI e curtindo nossa página no facebook.

terça-feira, 23 de junho de 2015

A mãe que NÃO quero ser



Basta estarmos grávidas para começarmos a imaginar que ‘tipo de mãe’ seremos. Mesmo antes de esperar um bebê, muitas de nós, mulheres, fazemos mil planos sobre o que faremos ou não com nossos filhos. Traçamos um completo perfil da mãe que seremos e garantimos que ‘isso’ ou ‘aquilo’ jamais acontecerá conosco. 

Enquanto a chupeta, os mimos ou a cama compartilhada são as preocupações de algumas futuras mamães, outras estão mesmo determinadas a não mudar a decoração da casa ou mesmo deixar a criança chorar no berço para ‘aprender a dormir sozinha’.

Quando o bebê nasce, muita coisa muda. Não só as opiniões e decisões determinadas que mantínhamos antes de nossos filhos nascerem, mas também a forma como vamos lidar comcada nova situação, na maioria das vezes inesperada que surge praticamente todos os dias.

Nem tudo muda, é claro. Mas a maternidade nos torna maleáveis na medida que aprendemos que ‘bater o pé’ em determinadas circunstâncias pode ser exaustivo e não surtir efeito algum quando se trata da educação dos nossos filhos.

Às vezes, a gente muda tanto que nem as pessoas mais próximas nos reconhecem. Quantas e quantas vezes já ouvi aquelas frases terríveis que jamais alguém deveria dizer a uma mãe, principalmente de ‘primeira viagem’: “nunca achei que você seria boa mãe”, “você me surpreendeu”, “ué, mas você disse que não faria isso?”, etc.

Hoje, após quase dois anos do início da minha jornada como mãe, reflito todos os dias (já com certa propriedade) que tipo de mãe eu gostaria de ser, mas principalmente que tipo de mãe eu NÃO gostaria de me tornar. Graças a uma timidez absurda do meu pequeno, me tornei uma mãe que senta no chão e brinca em qualquer lugar: na sala de espera do consultório, em festas infantis, na casa de amigos, no restaurante... e gosto disso. Vejo que as outras crianças se aproximam, que elas sentem falta dos pais naquele momento. Aproveito para ‘enturmar’ meu pequeno que muitas vezes acaba entrando nas brincadeiras das quais não participaria se eu não estivesse por ali. Outro exemplo é que também me tornei mais paciente, afinal não quero ser uma ‘mãe que grita’. Às vezes as coisas saem um pouco do controle (como no dia que uma calculadora voou na minha cabeça), mas percebi que eu me sinto pior por ter gritado com ele, do que ele por ter sido alvo dessa agressão.

Na maioria das vezes, as coisas ainda saem do controle e não funcionam bem de acordo com aquilo que planejo e espero para minha família, por isso passei a criar diretrizes que me guiam no caso de um dia me perder na criação de meu filho.Sei exatamente que tipo de mãe não quero ser mas também tenho certeza que tudo pode mudar a qualquer momento porque criar um filho é uma das surpresas mais incríveis dessa vida e eu embarquei de cabeça, esperando que todas as experiências que ainda viverei me tornem uma pessoa mais evoluída todos os dias pois assim poderei dar seu meu melhor para o ser mais importante da minha vida!

*Por Carlinha M


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Quando me tornei apenas "mãe"!



Quando me casei, há mais ou menos cinco anos, decidimos fazer algo pequeno, um miniwedding. Queríamos convidar apenas as pessoas que eram importantes para a nossa história, além do que a família do meu marido mora no exterior e não poderia vir para a festa. Mesmo tudo sendo discreto e para poucos, alguns preparativos como a decoração e o vestido exigiram visitas a algumas empresas e profissionais. A partir do momento que comecei a organizar meu casamento me tornei: “a noiva”. Aquilo de certa forma me incomodava. Poxa, eu tinha nome!

Acredito muito na força que tem o nome das pessoas, é por isso que quando chegou a hora de escolher o nome do meu filho, sempre acreditei que essa eleição não poderia ser feita ao acaso e mesmo o sobrenome teria que transmitir de fato aquilo que desejaríamos que ele tivesse registrado em suas raízes.

Acabei de conformando com o fato de ser “a noiva”, afinal os meses se passaram, o casamento chegou, e tudo que envolvia os preparativos acabou, me deixando ser novamente “ a Carla” ou “Carlinha” como prefiro que me chamem os amigos.

Essa ‘felicidade’ terminou quando meu filho nasceu. Já na maternidade nós, eu e meu marido, nos tornamos “a mãe” e “o pai”. Mas tudo ficou ainda mais forte e evidente quando colocamos o pequeno na escola. Lá, todo mundo é tio ou tia.

Lembro-me quando levei meu filho para o primeiro dia de adaptação. Fazia questão de perguntar e memorizar o nome de todos os profissionais que ali trabalhavam, afinal eles lidariam com meu filho quase todos os dias e, o mínimo que eu poderia saber, seria o nome de cada um deles. Ficava tentando fazer associações com pessoas conhecidas para não esquecer um só nome sequer, mesmo que todos eles viessem precedidos de “tio” ou “tia”. Achei que com o tempo aquela generalização passaria e que as pessoas se chamariam pelos seus nomes...ledo engano! Até entre eles, os profissionais que trabalham na escola, todo mundo é tio ou tia.

Pode até parecer um pouco de maluquice todo esse bla bla bla, mas perder minha identidade e me tornar apenas mãe de certa forma me incomoda. Até em casa passamos a ser mamãe e papai. Aproveito pra dizer que amo ser mãe e meu filho é a coisa mais especial desse universo, mas parece que ser apenas mãe num universo tão grande pode ser ainda mais reforçador de um comportamento onde a mãe vive integralmente para o filho e não tem um minuto sequer para se dedicar a ela mesma.


Os instantes em que penso em mim ou em algo que eu gostaria de fazer se tornaram raros depois que meu filho nasceu, mas quando alguém me chama pelo meu nome ou me trata como alguém que é mais que apenas “a mãe” com certeza me faz lembrar sonhos e objetivos que ainda quero alcançar, seja na minha carreira profissional ou na vida pessoal. Seja ao lado da minha família ou sozinha. Um deles é viver num mundo em que uma pessoa não precise  ser apenas “a mãe” só porque teve a felicidade de vivenciar essa experiência indescritível que é a maternidade. 
Eu quero ser mãe, mulher, profissional e tudo mais que meus devaneios permitirem!

*Por Carlinha M. - siga nossa página no facebook clicando AQUI e apertando o "curtir"

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vai passar!


Calma, vai passar!

Acho que essa foi a frase que mais ouvi desde que descobri minha gravidez: “vai passar”. Se analisarmos bem quantas pessoas costumam nos dizer isso quando percebem que estamos vivendo uma situação comum à gravidez, ao crescimento dos filhos ou à vida conjugal pós- maternidade, vamos descobrir que esse é praticamente um mantra.

Tudo começou com os enjoos, típicos do segundo e terceiro mês de gravidez. Eu me sentia tão mal que não queria nem conversar. Me vendo daquela forma, todos diziam que iria passar. Claro que esse é um ‘conselho’ de pessoas experientes, que viveram aquela situação até mais de uma vez, mas falemos a verdade: quando estamos vivendo algum ‘problema’ é quase impossível ver a frente, enxergar uma luz no fim do túnel, então o “vai passar” começa e te consumir.

Os enjoos obviamente passaram e depois dele muitas outras fases vieram, principalmente com o nascimento do bebê. O recém-nascido que não sabe fazer a pega correta do seio, o puerpério, as noites mal dormidas. Parecia que as pessoas a minha volta tinham sempre a fórmula do “em tanto tempo isso vai passar”. Claro que os números não são exatos, mas as fases costumam acontecer mesmo por um período determinado e duram, em média, a mesma quantidade de tempo, mas volto a dizer, para quem está vivendo, a única sensação é de aquilo será infinito.

Sem contar que nem tudo tem a mesma duração, não é mesmo? “Cada criança tem o seu tempo”, era o que diziam quando o “em tanto tempo vai passar” não funcionava na data esperada.

Lembro-me de uma noite, depois de semanas sem dormir, que comecei a pensar que um dia, bem lá no futuro, meu filho teria que dormir uma noite completa, que ele já saberia falar e que eu explicaria para ele a importância de uma boa noite de sono... quando ele tivesse, sei lá, uns cinco anos. No momento aquilo me proporcionou um alívio tão grande que nem notei que projetei meus planos para dormir uma noite completa cinco anos no futuro!

Aqui em casa, as noites começaram a fazer mais sentido quando meu filho já tinha um ano, exatamente quando começaram outras tantas fases que passariam da mesma forma que essa teve seu fim.

A adaptação na escola foi outro desafio. Acho que escutei tantas vezes o famoso “vai passar” que sonhava com ele e até comecei a dizê-lo para outras mães que se encontravam no mesmo desespero eu.

Com o tempo e as centenas de coisas que vamos vivendo com o crescimento de nossos filhos, muitas delas esquecidas com o passar dos meses, conseguimos entender que, de fato, “vai mesmo passar”. E tudo vai ficando mais leve. Conseguimos até usar a certeza da finitude das fases para encará-las de forma mais natural e menos estressante.


Hoje, tento me controlar para não usar o mantra ”vai passar” com algumas mães que cruzam meu caminho. Mesmo que, na maioria das vezes, seja a única coisa significativa que se possa dizer naquele momento. 

*Por Carlinha M

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O dia que repensei a minha forma de viver


Há cerca de duas semanas fui assaltada. Assim como não foi a minha primeira vez, tenho certeza que já aconteceu com inúmeros de vocês que estão lendo esse relato agora.

Apesar de não ser novidade e de já ter vivido outras situações semelhantes, agora, que sou mãe, a fragilidade da vida e a forma como aproveitamos nossos momentos passou a ser questão de muita atenção em meu cotidiano.

Ser mãe me fez refletir sobre a quantidade de pessoas que passam seus dias reclamando ou que perdem a oportunidade de sorrir, abraçar, cantar e dançar... Oportunidade de serem felizes!

Ficar sob ameaça de dois marginais, me fez novamente refletir sobre como tenho vivido e como as pessoas tem encarado os dilemas do dia-a-dia. Fez-me lembrar das famílias com parentes acamados, em coma, em hospitais. Fez-me pensar sobre perder a vida sem ao menos tê-la vivido plenamente e me provocou mudanças ainda mais profundas que me fizeram inclusive ter medo, não só de gente, não só da vida... Mas também da morte!

Hoje, quando entro em casa, procuro deixar meus problemas em uma caixa imaginária do lado de fora. Antes de sair do trabalho, lavo minhas mãos, meu rosto e coloco minha melhor feição. Abro meu coração e vou buscar meu filho na escola. Quero dar o melhor de mim pra ele e não aquela cansada e sem paciência, mãe que de vez em quando teima em me dominar.

Eu sei que o susto e o medo vão passar, pois vou continuar a fazer tudo como antes: trabalhar, almoçar, atender ligações, participar de reuniões... Por isso, decidi escrever aqui as coisas que não quero esquecer nunca mais, nem por um segundo. Peço apenas a você leitor que não considere isso um conselho, mas sim um desabafo de uma mãe que assim como tantas outras, quer estar ao lado de seu filho e sua família ainda por muitos anos:

- Sorria para seu filho, mesmo quando for de madrugada e ele teimar em não dormir para ficar na sua cama.

- Abrace-o bem forte todas as vezes que for deixá-lo e quando reencontrá-lo. Ele saberá que você o ama.

- Não tenha vergonha de dizer eu te amo, mesmo que você ache que ele não entende.

- Olhe-o nos olhos, mostre sua cumplicidade.

- Não se desespere quando não souber o que fazer. Às vezes, cantar uma linda canção pode ajudar a amenizar o choro e confortar um coração.

- Não grite. Só se for pra cantar bem alto!

- Pare tudo. Deixe o celular de lado. Esqueça a novela, o trabalho, os problemas e dê atenção apenas ao seu filho. Ele com certeza valorizará cada segundo ao seu lado.

- Lembre-se todos os dias como a vida é frágil, está sempre por um fio. E você não vai querer apenas passar por ela sem aproveitá-la em sua melhor intensidade.


*Por Carlinha M.

sábado, 11 de abril de 2015

Mãe em idade escolar

Não importa quantos anos tenha o seu ou os seus filhos, se vai voltar da licença maternidade quando ele tiver 4, 6 ou 12 meses. Se decidiu cuidar do pequeno até os 2, 3 ou 4 anos, uma coisa é fato: a hora de escolher a escola vai chegar!

Comigo aconteceu quando meu filho tinha 1 ano e 3 meses e confesso que jamais pensei que seria tão difícil. Eu já tinha voltado da licença maternidade quando ele estava com apenas 5 meses. Porém, o deixava com uma tia que teve que abrir mão de seus cuidados nessa ocasião.

O primeiro sentimento foi desespero. Eu já tinha passado pela fase de sentir saudade do cuidado intenso e ininterrupto, o que não significava que me sentia à vontade de deixá-lo em um lugar desconhecido e com pessoas que eu nunca tinha visto na vida.

Entre tantos sentimentos que pudemos sentir nesse momento e depois de passado o primeiro “susto”, marquei horário em uma escola indicada pela pediatra. Saí de lá com uma única certeza: JAMAIS ENCONTRARIA UMA ESCOLA PARA MEU FILHO! Não que o lugar fosse ruim, é que percebi que eu definitivamente não estava preparada para aquele momento.

Decidi então me munir de informações sobre como as mães realizavam mais esta missão impossível da maternidade, e reuni aqui o que considero de primeira necessidade antes de visitar qualquer instituição:

1- Tenha claro suas prioridades e as do marido também, pois nem sempre são as mesmas: a limpeza e higiene, espaço ao ar livre, quantidade de alunos por berçarista/professora, atividades oferecidas, alimentação, local para o banho e as toalhas, esquema de esterilização de mamadeiras, local para amamentação, câmeras de segurança e segurança, estilo pedagógico. Tente selecionar apenas 3 coisas que pra você são ESSENCIAIS, ou seja, aquelas que são fundamentais para que você aceite essa ou aquela escola como opção e se possível, liste as demais por ordem de preferência;

2- Pergunte às amigas, vizinhas, colegas de trabalho sobre as escolas que os filhos delas estudam. Veja quais pontos elas consideram bons e o que fica à desejar;

3- Selecione as escolas que ficam mais próximas da sua residência ou trabalho e verifique a viabilidade de caminhos/trânsito antes mesmo de marcar as visitas;

4- Agende primeiro naquelas de sua preferência (a maioria das escolas trabalha com horário agendado devido a segurança dos alunos. Apesar disso gerar desconfiança em algumas mães, pense no caso de a escola do seu filho deixar que qualquer pessoa entre e em qualquer hora). Se possível, escolha horários de refeições para que possa observar também o que é servido e como a comida é servida para os alunos;

5- O melhor é sempre estar acompanhado de outro adulto, pois enquanto um dá atenção à pessoa que mostra a escola, o outro consegue observar melhor questões como higiene e a forma como as crianças são tratadas;

6- Observe se os funcionários tratam as crianças pelo nome ou de forma generalizada. O nome é a primeira particularidade de uma pessoa e uma das coisas que a torna única naquele local;

7- Especialistas recomendam que os pais levem a criança também no das visitas, de forma a ver como ela reage no ambiente, como é tratada e principalmente como se sente com aquelas pessoas;

8- Para se sentir mais segura, liste as principais perguntas que gostaria de fazer, por exemplo: “como é a adaptação de rotina?”, “em quais horários serão servidas as refeições?”, “em qual turma meu filho ficará?”, “a escola fecha nas férias ou oferece curso de férias?”...

9- Ao sair de cada escola, anote tudo aquilo que gostou e o que não gostou para depois na hora da decisão, não se esquecer de nenhum detalhe. Às vezes as visitas entre uma e outra levam dias e você pode confundir as instituições.

Tendo minhas prioridades em mente (higiene, câmeras e quantidade de crianças por educadora), marquei as demais visitas em horários em que meu marido pudesse estar junto, pois sabia que tínhamos exigências diferentes (ele estava preocupado com as atividades oferecidas, a localização e o espaço para as atividades) e que precisávamos encontrar um local que agradasse ambos e ainda coubesse no nosso orçamento. Acho que visitei cerca de 10 escolas diferentes e posso dizer que literalmente vi de tudo: tomadas saindo da parede sem proteção; salas com 13 crianças de 1 ano e meio para apenas 2 educadoras; baldes imensos de lixo transbordando; sujeira, muuuuita sujeira; descaso; maltrato; falta de manutenção básica... Enfim, mas conseguimos sobreviver e selecionamos 3 preferidas.

Com o nosso caderninho de anotações em mãos, conseguimos listar os prós e contras de cada uma e selecionar aquela que atendia não só as nossas exigências, mas também que pudesse atuar de forma construtiva no crescimento do nosso bem mais precioso.

A tarefa que parecia uma “missão impossível” tinha sido concluída com sucesso, mas não sabíamos ainda que as fases que todos os pais em idade em escolar devem passar estavam apenas começando!

*Por Carlinha M.


terça-feira, 24 de março de 2015

Cada coisa a seu tempo


Como uma boa ariana, eu sempre fui controladora. Me programei pra quase tudo na vida. Me casei e pensava em ter filhos mais pra frente. Quando fiquei grávida, não estava planejado, mas a notícia foi muito bem recebida, apesar de inesperada. Durante os meses de espera, programei como gostaria que as coisas acontecessem. Tudo cronometrado, eu só tinha esquecido que estava lidando com outra vida, um pequeno ser que já nasceria com vontade própria.

Eu já tinha tudo planejado. Amamentaria 3 meses (nem sequer lavei as mamadeiras que comprei. Não tinha leite artificial em casa). Depois, apresentaria meu filho ao mundo dos bicos de silicone e voltaria a trabalhar feliz e contente quando encontraria uma boa escola que ficaria responsável pelos seus cuidados no período em que eu estivesse enfiada no mundo corporativo.

O início da amamentação foi terrível (mas vou deixar essa história pra outra hora), mas após três meses de amamentação exclusiva chegava o momento de colocar em prática o primeiro plano que tinha para as nossas vidas. O banho de água fria veio quando o meu pequeno simplesmente se negou a aceitar a mamadeira... quer dizer, as mamadeiras. Comprei absolutamente TODOS os bicos disponíveis no mercado. Ele não aceitou nenhum deles. Ele queria estar comigo, queria o meu leite. Sofri alguns dias sem entender porque ele ‘fazia isso comigo’ e depois comecei a perceber que, mesmo fugindo de tudo que EU havia planejado, ELE tinha outra programação pra nós.

Decidi esperar alguns dias e parar de insistir nas milhares de mamadeiras e leites diferentes que havia comprado. Lá estava eu, amamentando a cada 3 horas. Era a primeira lição que ele me ensinava: “Mamãe, paciência!”

Comecei então a pensar na escola... aliás, tentava pensar no assunto. Mas meu coração não deixava. Cada segundo que imaginava meu filho sendo entregue a um desconhecido, meu coração se dilacerava.  Aquele tal ‘amor de mãe’ tinha aflorado em mim de uma forma completamente inesperada. Era a segunda lição que meu filho me ensinava: “Mamãe, você vai me amar mais que qualquer plano que tenha feito”.

Acabei solucionando com uma tia que estava ‘louca’ pra ficar com ele. Mas ainda tinha a questão da mamadeira. Por mais que eu insistisse, ele fazia um escândalo cada vez maior a cada tentativa. Fechei meus ouvidos pros comentários da sogra que dizia que ele não dormia a noite porque estava viciado no peito (ele mamava a cada três horas mesmo com 4 meses), respirei fundo e encarei esse desafio. Eu já estava convencida, amamentaria até os 6 meses, afinal, eu tinha que me programar né. Para minha surpresa, aos cinco meses ele não quis mais. Ele recusou o peito. Ele desmamou sozinho. Quem ficou no vazio fui eu. Acho que entendi o que ele sentiu quando eu quis introduzir a mamadeira a qualquer custo. E aí aprendi minha terceira lição, uma que pretendo levar durante toda a criação do meu pequeno: “Mamãe, por favor, espere a minha hora”.


Hoje, meu pequenos tem 1 ano e 8 meses e quando alguém me pergunta quando vou desfraldá-lo ou colocá-lo pra dormir na sua cama (eu confesso, ele ainda dorme no meu quarto) eu apenas respondo: “Quando ele me der o sinal de que está pronto”.

*Por Carlinha M.