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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Viajando sem os pequenos



Tema difícil e controverso! Sempre dizia que faríamos viagens sem os filhos, antes mesmo de tê-los. Talvez algo em mim sabia o desafio que é ser mãe, mulher, esposa....ufa! Provavelmente eu já tinha no mínimo um palpite de que precisaria respirar sozinha...um pouquinho!  Enfim, na prática nunca havia feito isso tendo apenas um filho, com dois então, era meio surreal. Nem cogitava!

Aí, um belo dia, o maridão chegou com a notícia "ganhei milhas que nos garantem duas passagens! Vamos? Coisa rápida!". Um frio na espinha, foi o que eu senti na hora! Vou ou não??? Ai meu Deus!

Devo confessar que analisando bem, eu queria ter dito sim no segundo seguinte à proposta, mas eu tinha medo! Aliás...medos! Medo principalmente de ser julgada! Medo de que eu não fosse uma boa mãe, por sair viajando sem os filhos! Medo não! Acho que pavor era o termo mais apropriado! E o outro medo que eu sentia era de que algo de ruim acontecesse. E se eles adoecessem? E se não dormissem bem? E se chorassem? Ninguém melhor do que eu para resolver tudo! Eu tinha certeza que só eu resolveria! Enfim... Milhares de questões rondavam minha cabeça!

Após muito refletir, cheguei àconclusão que eu, sim, EU precisava daquilo! Uma viagem sem compromissos com filhos, sem horários para acordar, comer ou dormir! Por mais dúvidas que tivesse,eu sabia que seria fantástico para o casal estar ali, sozinho, como nos velhos tempos! 

E assim foi...fantástico! Maravilhoso! Me senti novamente namorando! Ganhei uns dez anos! Pena que a viagem foi curta, mas já foi muito boa! Revigorante em todos os aspectos!

Se senti saudades? Muitas! Muitas! Mas cuidei para que estivessem bem amparados aqui, durante minha ausência e desliguei um pouco! Falava só uma vez por dia e pedia a Deus que tudo desse certo! E deu!!!Por isso estou escrevendo essa experiência, para que saibam que, querer um pouco de diversão adulta não lhe inferioriza como mãe! E como dizia uma amiga...."mãe feliz se torna a melhor mãe do mundo"!Portanto,“bora” planejar a próxima???!!! 

*Por Hellen M

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Três e Seis


Isso mesmo, três e seis. Eu sei, esse título, esse começo... quase não faz sentido. Sentido lógico não, mas sentido na alma faz. Há pouco tempo atrás falava da surpresa do resultado positivo e da vinda do caçulinha. Hoje me pego surpresa com outros sentimentos avassaladores.

Esse meu pequeno que veio com um recado mais ou menos assim: “não, mãe, você não pode controlar e programar tudo!" - me ensina muito a cada olhar, a cada suspiro.
Muito focada em resultados, eu estaria nesse momento treinando-o para dormir assim ou assado. Afinal, no auge dos seus 3 meses, cansada, estaria exigindo que ele esticasse a noite. Porém, ele sempre me exige, às três e às seis da manhã. Todos os dias,  ou melhor, nas madrugadas. Ele mama e se enrosca em meu colo.

Ali, eu esqueço que estou mortinha de cansaço e que preciso dormir. Então fico imaginando na diferença que estes momentos de apego farão para a vida dele. Mas fato mesmo, é que me sinto agarrando o tempo, segurando firme e dizendo: "eu estou aqui aproveitando tudo!". Sinto cada minuto de macacão gordinho agarrado a mim, e que sensação boa! (Contudo, não melhor que os sorrisos dele para mim)!!

Dizem que horas de sono perdidas, jamais serão repostas, mas não consigo desligar e, aqui me sinto assim, vendo o tempo voar e eu, implorando para ele me esperar. É... Mas não dá! Vai ser assim, ele vai crescer e eu me arrepender de ter deixado isso acontecer... hehehe

Ah... se eu pudesse, acho que os congelaria lá pelos 4 anos e eternizaria a infância, grudaria neles sem soltar. Mas tem aquela velha frase que tanto incomoda "filho cresce!!!". Verdade, cresce mesmo...e como?!! E rápido! Bem rápido! E cresce seguro e dono de si,  por conta de tantos abraços, de tantas três e seis, de tantos beijos, de tanto visitar dezoito shoppings, só para ter certeza que ele viu o papai Noel e que ele já sabe sobre o natal... de tanto eternizar momentos, de tanto a mãe aqui reclamar no colégio sempre pelo melhor, de tanto a mãe se preocupar se ele é feliz, se tem toque suficiente, atenção, afeto, se tem vivido o lúdico da infância, se já tomou banho de chuva, se ama suas festas de aniversário feitas por nós, na nossa casa.  É assim que filho amado cresce!

E nós, mães dedicadas que convivemos com esse jargão e nos lembramos que as noites eram fracionadas e os momentos de privacidades arrancados, temos certeza, quando olhamos para nossas crias, que tudo valeu a pena e que sim, "filho cresce", mas só nós sabemos a qualidade desse crescimento, dessa sementinha que foi regada incessantemente com nosso amor!!! Pode ser que em determinados momentos ou em muitos deles a gente sinta falta da festa que deixamos de frequentar, da carreira que deixamos de ascender, de viagens que ficaram para depois! Mas tenho certeza que sempre há tempo para coisas assim.


Contudo esse início, essa primeira infância será para sempre,  a alegria de nossas vidas e a base para o caminhar desses nossos anjinhos! 
E, assim já são seis e nesses devaneios nem percebi que não dormi, que perdi esse soninho restaurador entre três e seis. Parte de mim já sente o prejuízo físico do cansaço, mas a outra parte comemora e sorri!

Por que assim, ele estava nos meus braços envolvidos pelo amor. E eu ainda estou decidindo se me entrego a loucura diária que logo se inicia ou fico ali vendo a vida passar sob o olhar do meu bebê, imaginando e divagando sobre a vida. 

*Por Hellen M - para nos seguir no facebook, clique AQUI e aperte "curtir"

terça-feira, 14 de abril de 2015

As cores da infância


Um dia desses, me peguei sendo compelida a pensar em determinada questão que jamais me atentei antes.
Li uma notícia que falava sobre um fabricante de lápis de cor que havia produzido várias nuances para o lápis "cor da pele", e na mesma hora achei sua atitude brilhante. Comecei então a revisitar conceitos que aprendi assim, meio sem perceber, lá mesmo na minha infância trocando os lápis de cor, desenhando.
Neste momento, me lembrei de compartilhar a caixa de lápis de cor e enquanto pintava o desenho, pedia: "me empresta o cor da pele". Com isso, uma lição importante me foi ensinada, aprendi sobre compartilhar, porém o minuto seguinte me choca, o tal lápis "cor da pele"! Uau! Mas que sútil e cheio de preconceito! Começou ali, no auge da minha inocência a ser criado então, um padrão de ser humano.
Sim, aquela era a "cor da pele"! Mas, cor da pele de quem? Aquele ocre não dizia muita coisa, ou melhor, quase nada sobre a maioria das pessoas que eu conhecia, afinal eu conhecia gente bem branquinha, marrom, negra, rosada, mas ocre? Ocre não! E ainda assim, esse era um padrão que aos poucos me era ensinado.
Aprendi também nessa fase, que olhos bonitos mesmo eram os claros e cabelos se pudessem, deveriam ser loiros e lisos, é claro. Eu tinha essas características e ouvia comentários que as enalteciam ao mesmo tempo em que desmereciam os demais, e eu já sentia que seria estranho não tê-las, pois ninguém me acharia "bonita".
Via mães usando muita camomila nos cabelos de suas filhas para destacar sua "loirice" quase inexiste ou produzindo mechas artificiais, e elas eram apenas menininhas! E assim, mesmo com características aprovadas pela maioria, cresci tímida e sufocada pelos padrões. Nunca me achei bonita, interessante ou descolada. Fui tão bombardeada por essas exigências que preferia me esconder. Sempre pesei mais do que minha cabeça gostaria, por que aprendi desde cedo que bom mesmo era ser magra, e mesmo pesando muito pouco, me submeti cedo a intervenções cirúrgicas, que hoje tenho consciência de sua total falta de necessidade.
Achando-me tão esperta, ainda assim fui pega por esses padrões e neste momento vejo que tudo isso começou cedo, cedo demais para que eu pudesse retrai-los. Começaram nas questões simples, no livro de histórias que trazia como ilustração crianças brancas com seus lindos olhos azuis, brincando ou com cores que se chamavam "cor da pele". E a conclusão é óbvia... Quanta crueldade está inserida nesses padrões, quantas exclusões! Quantas personalidades subjugadas por não terem a cor da pele, o cabelo, o peso... Enfim o tal padrão!
Tudo isso me remete a criação dos meus filhos. Talvez por isso, meio que instintivamente eu diga que não os quero “sexistas” (diferenciando brincadeiras de meninos e meninas), e assim ensino que podem brincar de qualquer brincadeira, nada de separá-las de acordo com sexo.
Eles têm rodo, vassoura, assistem o filme “Frozen” da Disney, ao mesmo tempo em que são alucinados pelos super heróis. Seus amigos são os mais diferentes possível, porque o diferente é bom, aliás é ótimo! Quero e busco um convívio bem eclético, para que vivam realidades e verdades de mundos diferentes. Que frequentem a cozinha não só para as refeições, afinal, homens também podem cozinhar e ao mesmo tempo serem malucos por carros, se assim o quiserem, é claro. Quero que sejam boas pessoas, bons cidadãos e aprendam desde muito cedo que vivemos em um país de extrema miscigenação, e ser bacana está totalmente desligado de cor, raça, gênero ou credo, que estar fora do padrão é ser real, de carne e osso.
E definitivamente, que aprendam que a beleza vem da alma e que não existe coisa melhor no mundo do que "gente de verdade"! E porque eu quero tudo isso? Porque é a minha chance de contribuir para um mundo melhor! A minha chance de dizer:"ei, podemos e devemos ser diferentes"!
*Por Hellen M.


domingo, 29 de março de 2015

E quando a notícia vem nas pontinhas dos pés?


Pois é!
Foi assim que eu recebi a notícia de que estava grávida novamente.
Para não dizer que veio sem querer (acho pesado o termo); aprendi com uma amiga que o meu caçulinha chegou nas pontinhas dos pés: veio sem avisar!
E agora? O que eu faria com toda essa transformação na minha vida... Tudo novamente? 

Quanto mais eu conversava com as amigas, mais eu me perdia.
Quando era verdadeira demais nos meus devaneios, era censurada.
A frase mais clássica que ouvi durante esse tempo foi: "filho é benção, você tem que ficar feliz!".
Concordo com a primeira parte da frase, mas a segunda me incomoda um pouco mais.

Porque eu tenho que ficar feliz? E se ao invés de feliz, eu ficar simplesmente chocada? Sim, chocada!
Afinal a vida em questão, que mudaria por completo, seria a minha.
Sim, só a minha!

Os pais que me desculpem, mas pai fantástico é "aquele que dá uma ajuda". Agora a mamãe aqui era o centro da situação, eu precisava dar conta com ou sem ajuda, afinal o bebê estava dentro de mim e quando nascesse era para os meus braços que ele viria.

Era eu quem passaria os próximos meses engordando, enjoando e sim tudo isso ao mesmo tempo em que me sentiria plenamente feliz!!!
Parece loucura, mas tudo isso e mais um pouco envolve a maternidade.

Gestar não é só esperar.
 É preciso que você se prepare durante os nove meses para estar pronta para o bebê que vai chegar.
Eu sei, jamais estaremos prontas, mas no meu caso, era a segunda vez... eu não queria cometer os mesmos erros. Tudo bem quanto a cometer novos erros, mas os mesmos... eu não me permitia!

Começando pelo parto, eu queria que fosse diferente, queria parto humanizado. Uau e que busca essa! Difícil num país que desencoraja esse tipo de parto, mas percorri todo o caminho até atingir o fim que eu desejava e ponto para nós!
Sim, nós! Eu e o bebê conseguimos, depois de 13 horas de um difícil parto normal, nos encontrarmos.
Foi lindo! Não como a maioria dos relatos que eu li, porém. Foi difícil, dolorido, por alguns momentos pareceu impossível, mas foi a nossa história possível, que ali, naquele momento, começávamos a construir.

E os meses que se seguiram ao nascimento também foram assim, cheio de questões novas, inéditas! Coisas do caçulinha que chega "causando".
Até alergia à proteína do leite enfrentamos.

E não, eu não gosto da fase que compreende os dois primeiros meses.
Fico exausta, pareço perder o controle de mim. Perco a identidade, perco a sanidade! E sim, eu me irrito quando dizem para aproveitar pois passa rápido! Oi? Aproveitar noites em claro e dias desesperadamente cansativos? Obrigada, mas a minha vez eu passo!

Quero que esse tempo voe! Se pudesse pularia essa fase!
Agora sim, passada essa avalanche volto a ser eu, mas agora sou um "eu" melhor!
Tenho nos braços um gordinho delicioso que aperto e brinco muito, pois sei que essa fase passa rápido e daqui a pouco ele já será um mocinho!

Então, não me digam que uma fase é boa quando não é! Não me censurem quando eu disser a minha verdade, afinal tem quem realmente goste muito da fase dos recém-nascidos.

Me digam a verdade, somente a verdade.
Me contem que passada essa fase desesperadora eu vou morrer de amores por cada sorriso, vou inflar de orgulho quando souber exatamente o que esse pequeno ser quer e precisa!

Ah, que maravilha ser mãe, que maravilha ter filhos ao nosso redor!
Contudo não me digam que esse caminho não tem tropeços, espinhos e, por favor, não me julgue se por vezes eu desabar.
Seja o apoio no caminho, a mão a me levantar.
E quando alguém me perguntar sobre tudo isso, direi que é a coisa mais maluca a se fazer: você vai perder a tranquilidade, a independência e até mesmo a mobilidade, mas vai ganhar o maior amor do mundo, a paz que habita em cada sorriso e depois de experimentadas essas sensações, esquece... Você não vive sem!!!

E se você perguntar sobre se aventurar nessa loucura eu vou dizer que, sem eles eu não sou mais eu... porque eles mudaram quem eu fui! 

 *Por Hellen M.